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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

George Clooney e o Darfur

Trailing George Clooney

«I was going to begin this column with a 13-year-old Chadian boy crippled by a bullet in his left knee, but my hunch is that you might be more interested in hearing about another person on the river bank beside the boy: George Clooney.

Mr. Clooney flew in with me to the little town of Dogdoré, along the border with Darfur, Sudan, to see how the region is faring six years after the Darfur genocide began. Mr. Clooney figured that since cameras follow him everywhere, he might as well redirect some of that spotlight to people who need it more.

It didn’t work perfectly: No paparazzi showed up. But, hey, it has kept you reading at least this far into yet another hand-wringing column about Darfur, hasn’t it? [...]»

Leia o resto no New York Times

Fonte: NICHOLAS D. KRISTOF, New York TimesPublished: February 18, 2009

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Uma Noite, Uma Voz por Darfur

Um grupo de cidadãos de Coimbra vai associar-se, na noite de 12 de Fevereiro, a uma acção, a decorrer a nível internacional, para apelar ao fim da violência sobre as mulheres no Darfur (Sudão). Será projectada, em estreia mundial, a curta-metragem Violence Against Women and the Darfur Genocide (Violência sobre as mulheres e o genocídio no Darfur), produzida pela Organização SAVE DARFUR. O curto documentário servirá de mote para um debate sobre a situação actual deste conflito.


O governo sudanês e os seus aliados, as milícias Janjawid, continuam a levar por diante uma campanha de violência sexual contra as mulheres e raparigas do Darfur. O procurador do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno-Ocampo, disse, no seu pedido de mandado de captura do Presidente Sudanês al-Bashir, que "a violação é uma parte integrante do padrão de destruição" no Darfur.


O evento "One Night, One Voice" procura congregar activistas em defesa de passos específicos que ajudem a acabar com esta violência endémica. Entre estes passos inclui-se a plena implementação da Resolução 1820 (2008) do Conselho de Segurança das Nações Unidas – em que este reconhece, pela primeira vez, a importância da protecção de civis contra a violência sexual durante e após conflitos armados.


Pode ser obtida mais informação sobre "One Night, One Voice" em: www.savedarfur.org/women.


O QUÊ: "One Night, One Voice": Uma noite em defesa do fim da violência sobre as mulheres no Darfur


ORGANIZAÇÃO: Um grupo de cidadãos de Coimbra


QUEM: José Manuel Pureza

Daniela Nascimento


QUANDO: Quinta-feira, 12 de Fevereiro, 21.30h


ONDE: Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra

e o que é que eu tenho a ver com isso?

«Dizem-nos do genocídio em Darfur e logo disparamos "e o que é que eu tenho a ver com isso?”. Contam-nos da barbárie em Bagdad, da violência extrema na Rocinha, do despotismo na Bielorrússia e respondemos “mas que tenho eu a ver com isso?” A arrogância da pergunta casa com a sua desumanidade. É um álibi de plástico quebradiço, frágil como todas as mentiras.»

José Manuel Pureza, no seu blog palombella rossa; entrada de 30 de Outubro de 2004.

TAGV: “Uma Noite, Uma Voz pelo Darfur”

 

O TAGV notícia o evento “Uma Noite, Uma Voz por Darfur” no seu blog:

Combates na região de Darfur fizeram 30 mortos em três semanas

 

«Enquanto o Tribunal Penal Internacional pondera emitir um mandado contra o Presidente sudanês, novos combates na região de Darfur resultaram em 30 mortos e milhares de deslocados.»

Fonte: Reuters / Público

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Violação e abuso sexual são prática corrente no Darfur.

Um relatório da organização de direitos humanos, Human Rights Watch, conclui que violação e abuso sexual são prática corrente no Darfur.

Depois de cinco anos de conflito, mulheres e raparigas continuam a ser vítimas tanto de guerrilheiros rebeldes como de milícias e soldados do governo.

Nem as tropas de segurança Sudanesas nem as forças internacionais de manutenção da paz têm feito o suficiente para proteger as mulheres, acrescenta a organização não-governamental com sede em Nova Iorque.

[…] Impunidade

A maior parte das vítimas tem medo de relatar os ataques e apresentar queixa; e quando o fazem, a polícia sudanesa não age. Quanto aos soldados do governo sudanês, têm imunidade judicial nos tribunais civis.

[…] Nos primeiros anos do conflito, os ataques por parte das milícias pro-governamentais, Janjaweed, faziam parte de uma estratégia para aterrorizar civis e forçá-los a abandonar as suas casas.

Mas a Human Rights Watch avisa que há uma mudança de padrão, com os abusos sexuais e violações a ocorrerem tanto em períodos de calmaria como durante os ataques às aldeias e vilas da região.

Mais capacetes azuis

As mulheres vêem-se obrigadas a aventurar-se fora dos campos para apanhar lenha, e são atacadas nas fronteiras dos campos de refugiados.

A Humans Rights Watch apela a uma maior patrulha das franjas dos campos de deslocados e ao aumento das forças de manutenção da paz, visto que a presença das tropas internacionais aparentemente inibe os ataques.

[…] A violência sexual tem sido uma constante no Darfur e é já uma marcada característica desta catástrofe humanitária.

Fonte: BBC África


Janjawid

Janjawid (جنجويد, em árabe; janjaweed, em inglês) é um termo genérico para designar uma milícia que opera no Darfur, Sudão. Conforme a definição das Nações Unidas, os janjawid são criminosos que se apresentam como árabes, embora sejam em geral provenientes de tribos africanas nómadas de fala árabe. Desde 2003, tiveram um papel central no sangrento conflito do Darfur, que opõe a população árabe muçulmana do Sudão aos muçulmanos não-árabes da região devido a várias questões, entre as quais, a distribuição de terras e recursos.

Fonte: Wikipedia

Artigo relevante:

Who Are the Janjaweed?A guide to the Sudanese militiamen, por Brendan I. Koerner, Slate, 19 de Julho de 2005

Daniela Nascimento

Daniela Nascimento é docente de Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) e Doutoranda do Programa de Doutoramento em Política Internacional e Resolução de conflitos dessa faculdade.

A sua tese de doutoramento centra-se na área de prevenção de conflitos e na sua relação com direitos económicos e sociais em sociedades divididas (estudo de caso do Sudão).

Proximamente será publicado um artigo seu sobre o Sudão e o Darfur: “Sudão: Entre a promessa de paz no Sul e a incerteza da guerra no Darfur”, Política Internacional, (no prelo).

SAVE DARFUR

SAVE DARFUR é uma aliança de mais de 180 associações de defesa dos direitos humanos e de organizações religiosas, que alerta o público para o genocídio em curso no Darfur e mobiliza uma resposta conjunta às atrocidades que ameaçam as vidas das pessoas nesta região do Sudão. As organizações que integram esta coligação representam 130 milhões de pessoas de todas as idades, religiões e afiliações políticas, unidas para ajudar a população do Darfur.

Omar al-Bashir: Genocida à espera da justiça

«Seis meses depois de ouvirem a acusação, os juízes do Tribunal de Haia deverão dar o seu veredicto. O Presidente que governa o Sudão com mão de ferro desde 1989 pode ser condenado pela matança de 300 mil pessoas no Darfur.

Omar al-Bashir é, por estes dias, um genocida a aguardar justiça. O Presidente sudanês foi acusado em Julho de ter orquestrado o genocídio no Darfur. Num gesto inédito na história do tribunal de Penal Internacional, o procurador argentino Luis Moreno-Ocampo pediu a emissão de um mandado de captura internacional. E a julgar pelas notícias da última semana, o veredicto estará para breve.
[…] Pouco se sabe sobre a vida privada do ditador, um dos mais odiados do planeta. Nascido em 1944 numa família rural, Al-Bashir terá tido uma infância dura antes de entrar no exército. Muçulmano confesso, é casado. Mas não tem filhos.
[…] Sob a sua presidência, o Sudão seguiu muitas vezes um rumo contraditório. Da mesma forma que fez adoptar vários princípios da lei islâmica, a Sharia, tomou decisões no sentido da liberalização da economia. A sua marca é inegável. Quando chegou ao poder, há 20 anos, ter dólares era um crime punível com pena de morte. Agora são muitos os que na capital, Cartum, andam com os bolsos cheios das notas verdes que pagam o petróleo sudanês.
Apesar de tudo, o maior desafio de Al-Bashir foi manter a integridade territorial do país que já acolheu Ussama ben Laden. Em 15 anos no poder tratou de pôr termo à sangrenta guerra civil entre o Norte e os rebeldes do Sul. Mas quando, em 2005, conseguiu assinar um acordo de paz, um novo conflito atingia o auge no Darfur, a vasta e desértica província do Oeste do país. A população local, de maioria africana e animista, revoltara-se dois anos antes contra o que chamava o favorecimento dos árabes pelo Governo.
O conflito saltou para as páginas dos jornais quando Al--Bashir deu ordens às milícias Janjaweed para porem termo à revolta dos locais. A resposta foi dura: os milicianos não só matavam os homens como humilhavam os sobreviventes, submetendo-os a violações, à fome e ao medo. Al-Bashir empatou durante meses o envio de uma missão de paz da ONU e da União Africana, posição que o confirmou como um dos governantes mais repudiados pelo Ocidente.
A revista Time colocou-o na lista dos cinco ditadores mais cruéis do pós II-Guerra Mundial. Na sua apresentação escreveu: "As suas guerras fizeram mais de 2.5 milhões de mortos (no Sul do Sudão e na região do Darfur); mais de sete milhões de deslocados forçados pelas suas tácticas de terra queimada (só no Darfur 1500 aldeias foram reduzidas a cinzas)."
[…] Apesar de haver grande expectativa em torno da decisão do Tribunal de Haia - Al-Bashir foi o primeiro Chefe do Estado em funções a ser acusado e poderá bem ser o primeiro condenado - dificilmente o ditador, de 65 anos, será levado aos juízes num futuro próximo. Apesar das muitas fraquezas do seu regime, a oposição está dividida e não existe verdadeira ameaça ao seu poder. O medo persiste no Sudão.

Fonte: DN, 17-01-2009. Texto de Hugo Guerra